terça-feira, janeiro 25, 2005

Maré de Sorte


Acordei bem humorado.
Surpreso...
confiro a temperatura,
quem sabe febre?
Não.

Sinto-me feliz, hoje.
Papai está trabalhando
e às noites dançando;
mamãe também,
trabalhando...
minha irmã sorri;
meu irmão... deixa pra lá;
os sobrinhos são chatos
mas amorosos,
e gozam de boa saúde
assim como a minha filhinha,
a princesa do meu reino
que ri à toa

Sinto-me feliz...
O trabalho é estafante, mal-remunerado
e não sou simpático aos meus colegas;
ao menos escrevo e peticiono:
prazer, desafio, terapia.

Sinto-me feliz, hoje.
A geladeira está cheia;
a força e a luz estão pagas;
convênio médico em dia;
cigarros estocados, isqueiro abastecido;
Fiadoria do bar renovada
e os credores já não ligam
com tanta freqüência.

Sinto-me feliz, hoje.
Meus amigos estão longe,
o final de semana também;
há um amor perdido,
uma barbada no 7° páreo
e muito ainda pra chorar,
mas tenho um jogo de pôquer
contra três grandes, logo mais,
e nisso, preciso me concentrar.

Sinto-me feliz, hoje!
Uma maré de sorte, talvez.