terça-feira, março 01, 2005

Devaneios, Tolices e Palavras do Céu

Sofrimento contínuo
que não estou preparado para abandonar;
o pranto é meu lenitivo...
para no momento seguinte
face ao vislumbre da recordação
do seu sorriso, da silhueta perfeita
ou do olhar...
me tranqüilizar.
Sinto-me só e desprovido de sorte!
Estarei louco?

Sonhar em olhá-la adormecer ao meu lado
enquanto minha alma chora de felicidade e emoção;
ao mesmo tempo em que nossos pés
sob o lençol se entrelaçam
e minha mão afaga seus cabelos,
ela se mexe e procura mais forte me abraçar,
fornecendo a certeza de estar feliz e segura.
Será loucura tais momentos acalentar?

"- Não!"

Desejar um beijo eterno,
e nada menos do que ver a face sempre risonha e alegre
daquela a quem os céus jamais deveriam
permitir entristecer;
Ansiar ouvi-la com ternura o meu nome pronunciar...
precedendo a frase mais significativa e profunda
que pode ser proferida: "- Eu te amo."
Loucura? – novamente indago.

"- Não!"

Imaginar suas carícias,
e outras tantas a ela devotar;
acordado ou em vigília,
o calor do seu corpo é objeto
das minhas mais deliciosas fantasias.
Sonhar e esperar tais coisas,
me respondam: Terei perdido o juízo?

"- Não!"

Considerar estar a seu lado
a maior dádiva que um homem
como eu, possa receber
e ser grato pela possibilidade
de todos os dias,
Vê-la, tocá-la,
Um beijo...
Consciente de ser o homem mais feliz
que sobre a Terra,
desde a descoberta do fogo,
pisou.
Devaneio? Exagero? Loucura?

"- Não! Nem perto disso, chegou."

Ora, às favas!
Sonho, imagino, anseio...
sinto saudades de quem nunca tive!
Desejo o que os céus parecem proibir.
Estou a assistir a esperança se esvaindo aos poucos
à medida em que atos tolos e cômicos
por mim são executados
em verdadeira pantomima.
Que o céu me responda então:
Se não fui vitimado pela loucura
O que devo fazer?

"- Esqueça-a se for forte o suficiente; ou,
Espere, se for tão corajoso quanto pensas.
Seja o que for, faça em silêncio...
deixe que o Tempo responda
se tuas preces foram atendidas
ou se apenas amou
de forma meiga e verdadeira,
sim, como um tolo,
mas nunca como um louco,
ou em vão."